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ARTIGO
 
27/10/2017 08:25
ARMANDO AVENA - OS LOJISTAS E OS SHOPPINGS

 



Dois anos de uma recessão brutal, fizeram vir à tona a realidade e os problemas dos shoppings centers na Bahia e no Brasil. Esta coluna teve acesso em primeira mão aos resultados de uma pesquisa intitulada “Diagnóstico da Relação Lojistas e Shoppings Centers na Bahia”, realizado pela Câmara de Empresários em Shopping Centers da Fecomércio-BA, que traz informações sobre o setor. O documento traz dados obtidos através de pesquisa em shoppings de Salvador e mostra que cerca de 200 lojas foram fechadas nesses estabelecimentos em 2016.

Com isso, o índice de vacância média de estabelecimentos nesses centros comerciais chegou a quase 10%. Não é de estranhar, afinal, cerca de 75% das lojas de shopping centers são consideradas pequenas com faturamento entre R$40 e R$60 mil por mês. O documento toma partido dos lojistas e afirma que o custo de ocupação médio nos shoppings, que é o valor pago pelos lojistas para utilizarem as instalações dos centros comerciais, é muito alto.  Segundo o estudo, o custo de ocupação médio nos shoppings de Salvador é de quase 20%, variando entre 16,5% e chegando até 22%, e argumenta que o percentual ideal seria de 10%.

A questão é delicada, mas neste mercado, em que de um lado estão as administradoras de shoppings e de outro os lojistas, o ideal é encontrar um ponto de equilíbrio, o que na crise é muito mais difícil. O problema é que com a queda no faturamento das empresas, o custo de ocupação médio nos shoppings, que é o valor pago pelos lojistas para utilizarem as instalações dos centros comerciais, ficou proporcionalmente maior e, em muitos casos, o aumento não foi apenas proporcional, mas absoluto.

O documento afirma também que está havendo uma mudança no perfil dos frequentadores de centros comerciais. Se antes, as pessoas iam ao shopping fundamentalmente para comprar, agora querem muito mais que isso e vão em busca de entretenimento, lazer e cultura. O mais provável é que os clientes que vão aos shoppings busquem as duas coisas: consumo e entretenimento e, nesse caso, novamente, é preciso uma ação conjunta para que eles sejam atraídos às compras.

O documento, que vai ser lançado no dia 30 de outubro na Casa do Comércio, vai gerar polêmica, até porque aborda os conflitos jurídicos entre lojistas e shoppings. Mas é preciso bom senso, afinal, se é verdade que a relação entre lojistas e shoppings precisa ser mais ajustada, é verdade também que nesse negócio um depende do outro, por isso bom mesmo é encontrar um ponto equilíbrio, onde os custos de ocupação sejam compatíveis com o faturamento das lojas.

                                         O IMPACTO DO SHOW DE PAUL  

O show de Paul MacCartney foi um sucesso de público e de crítica, mas, além disso, foi uma demonstração de como a Bahia pode fortalecer sua economia investindo na cadeia produtiva do entretenimento. Salvador é uma cidade cuja economia gira em torno do turismo, do comércio e dos serviços e um evento da magnitude do show de Paul MacCartney impacta economicamente todos os segmentos da cadeia econômica e turística da cidade. Os números mostram isso de forma clara.  

O evento elevou a taxa de ocupação dos hotéis, que atingiu mais de 90% na média e chegou a 100% nos hotéis mais próximos da Arena Fonte Nova. Vale lembrar que em outubro de 2016, a taxa de ocupação média dos hotéis em Salvador foi de apenas 50% durante todo o mês. Dos 45 mil ingressos, cerca de 30% foram vendidos a turistas de outros estados e do interior do Estado, o que significa, adotando-se uma estimativa conservadora de gasto médio por turista, uma movimentação financeira da ordem de R$ 15 milhões, supondo uma permanência de 2 dias. Mas a cadeia de entretenimento mobilizada pelo show movimentou uma estrutura muito maior, impulsionando o comércio formal e informal, os serviços de todo tipo, incluindo propaganda, transporte, montagem, mídia e dezenas de outros segmentos implicando em uma movimentação financeira global que, incluindo os ingressos pagos, estima-se em cerca R$ 40 milhões.

Tão expressivo quanto a mobilização financeira foi, no entanto, o impacto no mercado de trabalho em termos de geração de empregos diretos e indiretos em vários segmentos da economia. Cerca de 4 mil empregos temporários diretos foram criados para viabilizar a festa e isso se desdobra em uma massa salarial que injeta recursos na economia. A verdade é que o show de Paul MacCartney não foi apenas um show, foi um evento econômico de forte impacto na economia da cidade. Eventos como esses devem ser repetidos e o anúncio de que a turnê da cantora Shakira vai passar por aqui é sinal de que Salvador está entrando na rota dos grandes shows internacionais.

                                                     A NOVA ODEBRECHT

A Odebrecht está se renovando e montando estruturas de governança que permitem estabelecer novas relações tanto no âmbito privado quanto no setor público. A montagem de um comitê de conformidade (compliance) e a criação de um conselho externo global, para apoiar o conselho administrativo da empresa nos temas de negócios e governança são exemplos disso. O conselho externo é formado por dez profissionais, entre executivos famosos internacionalmente e pesquisadores de ética e sustentabilidade nos negócios e com experiência no combate à corrupção.

Um dos temas que estará a cargo do conselho será:   como competir com integridade e altos padrões de ética e transparência em ambientes desafiadores. Entre os nomes que participarão do conselho estão:  Lynn Paine, professora da Harvard Business School e referência na produção acadêmica de governança e ética; e um amigo deste colunista e da Bahia: Vinod Thomas, um executivo preocupado com a ética e a ação social, que foi vice-presidente e diretor para o Brasil do Banco Mundial.              

                                         O FIM DA CRISE E AS FINANÇAS ESTADUAIS

A economia baiana saiu da crise e a prova mais concreta disso é o crescimento da arrecadação de ICMS. Em setembro, a arrecadação de ICMS atingiu R$ 1,8 bilhão, um crescimento de 8% em termos reais.  E mesmo no acumulado do ano, a situação das finanças estaduais melhorou de forma significativa: entre janeiro e agosto, a arrecadação de ICMS cresceu 7,7% em termos nominais e as transferências do FPE – Fundo de Participação dos Estados cresceu 8,5% em termos nominais, em ambos os casos crescimento real de mais de 4%. É resultado do fim da crise e da ação competente da Sefaz e dos fazendários.

                                 JUROS E INFLAÇÃO EM QUEDA, PIB EM ALTA

Esta semana, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira para 7,5% ao ano, um mínimo histórico. Isso significa que a taxa de juros descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses é da ordem de 3%, uma das mais baixas da história do Brasil. Deixar muito dinheiro na poupança ou na renda fixa num quadro como esse é quase irracional, e cada vez o investimento parece ser a bola da vez. A previsão da inflação brasileira no acumulado do ano até outubro é de 2,25%, três vezes menos do que no mesmo período de 2016.

É inflação de país desenvolvido, igual a dos Estado Unidos e menor do que a da Inglaterra. Juros reais de 3% e inflação da ordem de 2% é receita para fazer o PIB dar um salto, e salto de campeão olímpico. O problema é que 2018 é ano de eleição e essa situação econômica surpreendente pode ter efeitos de todo tipo. A interação entre política e economia, pode, por exemplo, alavancar candidatos e fazer o PIB disparar, mas pode também ser um freio ao investimento e ao crescimento por conta da incerteza. É pagar para ver. 


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