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"Salvador viveu a novela da falta de um centro e com decisões erráticas por parte do governo do Estado. Não vou utilizar esse momento para fazer embate político partidário. Mas esse tipo de gestão não era esperada por nossa cidade"

ACM Neto
Prefeito de Salvador









ARTIGO
 
13/10/2017 07:24
ARMANDO AVENA : O HOMEM E A ECONOMIA COMPORTAMENTAL


Os homens adoram considerar-se racionais, afinal essa característica nos levou ao topo da cadeia biológica e permitiu que conquistássemos o mundo. Infelizmente, caro leitor, essa racionalidade nem sempre está presente nas nossas decisões, pelo contrário, em se tratando de decisões econômicas, por exemplo, o mais comum é que elas sejam adotadas sob o signo da irracionalidade. Esta é a tese da chamada “Economia Comportamental”, cujo mais brilhante defensor,  Richard Thaler, ganhou o prêmio Nobel de Economia.  Thaler deu uma rasteira nos economistas tradicionais – que afirmam que o consumidor é racional, ou seja, procura maximizar sua satisfação e minimizar seus custos – e comprovou, através de testes e pesquisas, que comportamento irracional das pessoas é, na maioria das vezes, determinante nas suas decisões de consumo e até de investimentos.
 
A mais dramática das nossas irracionalidades é a síndrome do curto prazo, no sentido de que priorizamos sempre os resultados imediatos. Entre receber uma grande recompensa agora ou uma recompensa maior daqui a um ano, as pessoas tendem a escolher o benefício imediato. À princípio isso parece uma solução racional, afinal “a longo prazo todos estaremos mortos”, como diria Keynes, mas não é, pois, a recompensa imediata pode significar uma perda expressiva e uma satisfação maior no futuro. A síndrome do curto prazo explica também porque o consumidor prefere comprar um bem imediatamente, mesmo tendo de parcelar e pagar juros altos, ao invés de poupar para comprar à vista no futuro
 
Outra constatação é que o ser humano tem uma enorme tendência a manter o status quo, ou seja, manter a situação atual mesmo que ela não seja muito boa. É por isso que demora tanto para mudar de operadora de telefone ou da TV por assinatura e outras coisa mais, mesmo quando nada funciona. Sair do conforto de não ter de tomar decisões exige uma energia adicional e por isso o processo é adiado.  Outra questão importante relaciona-se à perda e a posse. Quando temos posse de alguma coisa, a tendência é dar um valor maior a ela do que quando não a possuímos. É por isso que o proprietário de uma casa pede por ela um preço mais alto do que o valor de mercado. Além disso, os homens possuem aversão a perda e preferem não ganhar, ou seja, não vender o imóvel, do que achar que perderá dinheiro vendendo barato, quando vende e aplicar o dinheiro seria muito mais racional. O mesmo processo se dá com a compra induzida pelo desconto, as famigeradas liquidações, nas quais o consumidor compra, não tanto porque precisa daquele produto imediatamente, mas apenas para não perder o desconto. 
 
Verificando que as pessoas na maioria das vezes se afastam da racionalidade quando tomam suas decisões, Tahler criou o conceito de “nudge” ou seja, a ideia de que é possível induzir o cidadão a tomar decisões mais racionais através de um sutil empurrãozinho. Assim, no formulário adequado, ao invés de questionar o cidadão se ele será ou não doador de órgãos, já vem marcada a afirmação de que ele será, obrigando-o, caso ele não a deseje, a manifestar essa escolha.
 
Algumas empresas, principalmente na internet, usam e abusam do “empurrãozinho” e oferecem na tela do seu computadore os produtos que o internauta buscou na rede, induzindo-o à compra. O empurrãozinho é também comum na hora do pagamento em cartão, quando se pergunta: Débito? É um “nudge” para induzir o consumidor a não fazer a compra a crédito, que é mais custosa para o lojista. Essa técnica, no entanto, as vezes esbarra com outro comportamento irracional bem típico dos humanos:  a tendência a retribuir a ação de outra pessoa com uma ação equivalente. Assim, ao perceber que está sendo pressionado, seu senso de justiça é afetado e ele escolhe o oposto da sugestão.
 
A economia comportamental é fantástica porque demonstra que, na maioria das vezes, não é a razão que determina as ações humanas, mas sim a emoção. Mas a técnica do “empurrãozinho”, e a tentativa de "proteger os indivíduos de seu comportamento irracional" é polêmica. Há quem afirme que ela pode melhorar o ser humano, estimulando-o a fazer ginástica, doar órgãos e ser menos agressivo, mas há quem diga também que pode transformá-lo num robô, incapaz de fazer suas próprias escolhas. A verdade é que a tese da “indução do comportamento humano” enseja uma análise mais ampla, afinal, por que razão daremos a alguém o poder de induzir nossas ações, por que motivo abriremos mão da nossa capacidade de reagir emocionalmente – que é, em última instância, o que nos faz humanos – em prol de uma suposta supra racionalidade, vinda do mercado ou de quem quer que seja, e que vai mutilar nossas escolhas, ainda que  elas sejam irracionais.
 
A Ford à plena carga

Entre janeiro a agosto de 2017 a produção de veículos na Bahia, realizada basicamente pelo Complexo Automobilístico da Ford, cresceu 17,5%, em relação ao ano passado.  O aumento na produção se deve a retomada das vendas no mercado externo e a recuperação do mercado interno que, embora em níveis ainda baixos, elevaram a produção para outro patamar. As exportações de automóveis populares da Ford, por exemplo, atingiram US$ 257 milhões, entre janeiro e setembro, um crescimento de 189%.  Os produtos de borracha e de material plástico cresceram 5,5% este ano, grande parte relacionada com a produção de pneus para atender a demanda da Ford. O 3º turno na fábrica de automóveis em Camaçari foi reaberto em fevereiro e ao longo do ano os 780 funcionários afastados temporariamente em 2016 retornaram à seus postos.  Este ano já foram contratados 170 novos trabalhadores. E a tendência é mais produção.
 
As perspectivas da economia baiana
A estatística, quando torturada, confessa qualquer coisa, por isso é preciso tomar cuidado com as previsões. A recuperação da economia baiana, por exemplo, é uma realidade, mas ainda não está se dando de forma homogênea. Em outras palavras, alguns segmentos estão crescendo muito e outros ainda permanecem em baixa. No 1o semestre de 2017, o crescimento do PIB brasileiro foi e 0%, enquanto o PIB baiano apresentou crescimento da ordem de 0,6%. A Bahia cresceu mais do que o Brasil por conta da recuperação da agropecuária, que cresceu 33%, mas esse cálculo é feito em relação a uma base deprimida, já que o ano anterior foi ano de forte seca no Estado.
 
Alguns setores da indústria mostram nítida recuperação, como a produção de veículos, celulose, pneus, produtos alimentares e outros, mas a metalurgia está em queda e produção química e petroquímica ainda não deslanchou e ela representa grande parte da indústria.  A recuperação está vindo com força no comércio, nos ramos de eletrodomésticos, material de construção, móveis e veículos onde as concessionárias começaram a deslanchar as vendas. Os serviços e o turismo também acenam com recuperação. E a construção civil ensaia novos lançamentos. Tudo indica, portanto, que a economia baiana vai se recuperar e, a medida que a taxa de desemprego for caindo, o crescimento deslanchar. Mas nada muito acelerado. “É como dizem os italianos: piano, piano si va lontano”.                 
 
Dia das crianças
“De todos os presentes da natureza para a raça humana, o que é mais doce para o homem do que as crianças”. Ernest Hemingway disse sobre esses pequeninos o que todos nos gostaríamos de dizer, por isso, uma viva para as crianças, pelo seu dia. 


 


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