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"Salvador viveu a novela da falta de um centro e com decisões erráticas por parte do governo do Estado. Não vou utilizar esse momento para fazer embate político partidário. Mas esse tipo de gestão não era esperada por nossa cidade"

ACM Neto
Prefeito de Salvador









ARTIGO
 
09/10/2017 07:35
ADARY OLIVEIRA - A VOLTA DO HORÁRIO DE VERÃO

O horário de verão volta a ser estabelecido com o objetivo de melhor aproveitar a luz solar, nesses tempos de escassez de água nos principais reservatórios que garantem o funcionamento das usinas hidrelétricas. Estima-se que a medida seja capaz de reduzir em 5% o consumo de energia elétrica usada na iluminação artificial, o que significa substancial economia para os consumidores e melhor desempenho das distribuidoras na hora do pico.

Recomenda-se tal procedimento para as regiões distantes da Linha do Equador quando no verão os dias se tornam mais longos e as noites mais curtas. A localização intermediária da Bahia, que antigamente era considerado estado situado na Região Leste e hoje está incluída na Região Nordeste, e a sua não inclusão no horário de verão pelo Governo do Estado, gera anualmente acirrados debates sobre o tema.

O horário de verão começa a vigorar no terceiro domingo do mês de outubro coincidindo neste ano com o dia 15, indo até 18 de fevereiro de 2018. Nesse em Salvador dia o sol nasce às 5h 8min e nasceria às 6h 8min se fosse adotado aqui o horário de verão, exatamente no mesmo horário em que o sol nasceu no dia 15 de julho. Na prática o que se faz é ajustar o ponteiro do relógio para o nascer do sol de três meses atrás.

Quando o horário de verão é adotado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e a Bahia fica fora, são criadas no cotidiano situações de desconforto difíceis de superar. São mudados os horários dos programas de televisão, o horário de funcionamento das agências bancárias, a marcação dos horários dos voos domésticos e internacionais e a necessidade de compatibilização de outros serviços com o “horário de Brasília”.

Em relação ao uso de computadores, existem sistemas críticos que são impactados com a mudança de horário, havendo necessidade de se proceder desligamentos durante as atualizações de horários para que sejam evitados problemas internos nos programas.

A indústria manufatureira da Bahia, fabricante preponderantemente de bens intermediários que abastecem consumidores do Sul e do Sudeste, enfrenta uma diferença de duas horas por dia, criando dificuldade na relação fornecedor/cliente e no uso da rede bancária, inclusive no fechamento das operações de câmbio.

Os empresários do setor de turismo estão convictos de que o dia mais longo faz crescer a atratividade dos visitantes que procuram a Bahia para frequentarem suas praias e serem atendidos pelos serviços de hotéis, bares, restaurantes e entretenimento, disponíveis por tempo maior se adotado o horário de verão.

Os que defendem a não inclusão da Bahia no horário de verão falam dos trabalhadores que teriam de acordar mais cedo para enfrentar o batente, como se não fizessem isso em julho e dos velhinhos que passariam por sacrifício maior no despertar, como se os mais idosos não necessitassem de menos tempo de sono para recuperação de suas energias.

Outros dizem que o “horário novo” facilitaria a ação dos assaltantes, que preferem agir ao raiar do dia, contrariando as estatísticas que apontam o contrário. No sertão da Bahia o povo prefere manter o relógio no “horário de deus”, apesar de seguir a luz do sol para seu despertar, acordando mais cedo com ou sem horário de verão.

Polêmica à parte, em um país onde se tem eleição ano sim ano não, o governo prefere atender a reivindicação dos sindicatos obrais, supostamente abalizados em pesquisas de opinião. De qualquer maneira, a integração do Estado com o núcleo central do País, mantem sua economia mais fortalecida, contrapondo-se ao enfraquecimento econômico decorrente do desgarramento.


Adary Oliveira 
Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional péla Universidade de Barcelona, Espanha
adary347@gmail.com

 


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