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ACM Neto
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ARTIGO
 
09/10/2017 07:30
MILTON CEDRAZ - O RIO SÃO FRANCISCO ESTÁ MORRENDO?

Na realidade, rio não morre se transmuda. Isto porque a água não sai do planeta. Em sendo assim, vai afinal para onde?  Sabe-se, e as evidências comprovam, que grande parte do nordeste, há milhares de anos atrás era coberta de água! O próprio rio São Francisco, possivelmente tinha seu leito coberto por dezenas de metros de água, acima do nível atual. Haja vista a ocorrência de seixos rolados, em suas margens, bem acima do seu atual nível.

A influência do homem se resume ao micro clima, segundo grandes ambientalistas de renome como Bjorn Lomborg, cientista ambientalista dinamarquês, consultor de mais de cem países, sobre a situação geral do clima e meio ambiente mundial.

Tal como ele, outro renomado ambientalista americano, Dr. John Cristy, professor de ciências atmosféricas na universidade do Alabama em Huntsville, comunga das mesmas convicções. Ambos matemáticos, especialistas em estatística.

Para completar esse pequeno time, já que existe uma corrente de cientistas que comunga as mesmas teses, tem-se o cientista brasileiro, prof. Luiz Carlos Molion, formado e pós-doutorado na Inglaterra e nos Estados Unidos, membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim e representante da América Latina na Organização Meteorológica Mundial. Ele, por sinal, afirma, peremptoriamente, que “aquecimento global é terrorismo climático”.Afirmativa que fez em entrevista que deu á revista Isto È.

No geral, existem enormes divergências a respeito da situação climática! Inclusive, que em vez de um aquecimento global estaríamos, na verdade, entrando em uma nova Era Glacial, como afirma Dr. Molion.
Para entender as teses climáticas que dizem respeito aos rios, entre outras razões, é necessário conhecer como se processa o ciclo hidrológico.

Esse é um caminho que a água percorre o tempo todo. A evapotranspiração propiciada pela vegetação, mais a evaporação da água dos mares e lagos, pela ação dos raios solares, a eleva para atmosfera e aí é empurrada pelos ventos, para lá ou para cá, ao sabor de várias circunstâncias quando, finalmente, se precipita em vários locais, ocasionada por razões diversas.

Ao precipitar-se sobre o continente, supri as redes hidrográficas dos rios ou se infiltram recarregando diferentes aquíferos. Portanto, os rios são resultantes das chuvas que se precipitam em uma malha de afluentes que convergem para um leito principal.

Assim, é também formado o Rio São Francisco. Setenta e cinco por cento de suas águas são originadas das chuvas que formam seus afluentes, nas montanhas de Minas Gerais. Os outros vinte e cinco por cento, são resultantes das chuvas caídas nas vertentes da divisa Bahia/Goiás, e o Tocantins e cerrado baiano.  Isto é, na margem esquerda do rio São Francisco.

A contribuição das águas da margem direita é muito pequena, pois está integralmente inserida no semiárido e, como consequência, não tem rios perenes capazes de influenciarem na vazão do São Francisco.
A redução da vazão média do rio São Francisco vem ocorrendo por força de uma prolongada estiagem que vem se alternando entre poucos anos chuvosos e, cada vez mais, com anos com reduzidas precipitações. Processo que se acentuou a partir de 2013.

Essa situação vem sendo atribuída aos fenômenos climáticos naturais do El Niño e La Niña, cuja ocorrência, por sua vez, sofre influência de fenômenos solares.  Tudo leva a crer, que a tendência secular, senão milenar é de que, ao logo dos tempos, o regime hidrológico do rio São Francisco é de se modificar, até que nova tendência venha restabelecer sua vazão média ou mesmo ultrapassar as vazões até então registradas.

Não resta dúvida que a ação do homem tem influenciado, em algumas situações pontuais, mas não para alterar o regime das vazões médias do rio. Será que as grandes cheias do rio São Francisco não tem mais, recentemente ocorrido, por conta da ação do homem? Ninguém, de sã consciência, poderia fazer tal afirmativa, mesmo sendo cientista e especialista sobre o assunto!

Nem por isso se poderia descuidar de um continuado processo de recuperação de áreas degradadas e do permanente processo de proteção de suas margens e águas. Particularmente da recuperação e manejo da vegetação das nascentes, quando se deveria adotar o modelo da produção de água, empreendido pelo Município de Nova Iorque.

Esse modelo se resume na compra ou arrendamento das áreas produtoras de água nas montanhas e áreas onde nasce o rio ou seus afluentes, com recursos obtidos pela outorga do direito de uso da água. Quanto à vegetação ciliar, responsável pela contenção do assoreamento das margens, tem que ser sistematicamente restabelecida.

Em qualquer rio, especialmente o São Francisco, pois grande parte de suas margens e de seus afluentes é constituída por solos friáveis, isto é, desmoronam com facilidade, contribuindo, largamente, para o assoreamento do leito.

Não é atoa que as pessoas, ao se referirem aos nascidos nas cidades ribeirinhas do rio São Francisco, os classificam como barranqueiros! A destruição da vegetação ciliar do rio iniciou-se ainda no Brasil colônia, com a extração de madeiras para serem exportadas para a Europa.

Seguindo-se, o uso delas na alimentação das caldeiras dos barcos a vapor que singravam suas águas para o transporte de passageiros e de cargas.  Por isso, paga-se o preço, com o alargamento e assoreamento de seu leito, o que dificulta a exploração não consuntiva da água do rio, pela navegação!

Mais recentemente, pela extensiva exploração da pecuária e agricultura predatória nas montanhas e até pelo agronegócio que, mesmo com legislação severa, não respeitam as mínimas regras do bom senso. Neste caso, tudo leva a crer que uma correta política de cobrança, pela outorga do direito de uso da água e pagamento pela recuperação e manutenção das áreas protegidas, a ser exercida pelo Comitê da Bacia através de sua Agência Executiva, como manda a lei 9433, teria êxito nessa inglória luta pela sua recuperação. Seguramente, o rio e seus usuários agradeceriam! O resto é estória para boi dormir!

  

Milton Cedraz Engº Agrº Técnico em Desenvolvimento Econômico pela Cepal/ONU
 


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