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ARTIGO
 
18/09/2017 08:03
RAFAEL AVENA NETO - A FIOL E A MINERAƇƃO DE FERRO NA BAHIA


 
A Bahia é, sem dúvida, um dos estados mais ricos do Brasil, em termos de recursos minerais, com uma diversidade de mais de 45 substâncias minerais, com destaque para o urânio, cromo, magnesita, cobre, níquel, ouro, diamante e vanádio.

Apesar desta enorme diversidade, nosso estado apresenta, entre outros problemas, um grande gargalo, que é a ausência ou insuficiência de infraestrutura, além de uma logística inadequada, principalmente no que diz respeito ao movimento da sua produção, da mina ao porto.

Este fato tem impedido o estado de se tornar um grande produtor de ferro e, nesse sentido, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM, juntamente com a Secretaria de Desenvolvimento Mineral – SDE, vêm unindo esforços com o Governo do Estado, visando viabilizar a Ferrovia Oeste – Leste (FIOL) e o Porto Sul.

Em trabalho recentemente concluído pela CBPM, verificou-se que a Bahia tem recursos potenciais para ferro da ordem de 20 bilhões de toneladas. Foram levantados todos os distritos e/ou áreas de ocorrências ferríferas no Estado da Bahia, verificando a existência de quase três mil requerimentos para essa substância, junto ao Departamento da Produção Mineral – DNPM.

Distribuídas por todo o estado, ocorrem depósitos de médio a grande porte, destacando-se alguns distritos importantes, como o do Sudoeste da Bahia (Caetité – Brumado), o do Médio São Francisco (Sento Sé - Remanso), o do Sudeste (Iguaí – Jequié), o do Norte (Campo Alegre de Lourdes) e o do Recôncavo baiano (Coração de Maria – Conceição do Jacuípe).

A dimensão e qualidade dos recursos presentes nos distritos do Sudoeste e do Norte da Bahia, por exemplo, são bastantes significativos, com grandes volumes, quase 10 bilhões de toneladas.  Ambos apresentam minérios com teores médios entre 35% a 45% de Fe, podendo alcançar, níveis expressivos, com teores variando de 50% a 67% de Fe. Estes depósitos estão relacionados à espessas unidades de itabiritos, associados a sequências vulcanossedimentares. Ocorrem, também, minérios de baixos teores (<30% de Fe), geralmente anfibolíticos e compactos a semi-compactos, presentes, principalmente, nos depósitos do Norte (Remanso) e de Coração de Maria, no Recôncavo Baiano.

Apesar desses expressivos recursos, a implantação de empreendimentos mineiros para a explotação esbarra, principalmente, na ausência ou insuficiência de infraestrutura e logística para produzir e movimentar, da mina ao porto, grandes volumes (acima de cinco milhões de toneladas/ano) de concentrados e/ou minérios de ferro. Pelo menos três grandes projetos, no Sudoeste, estão prontos e/ou em desenvolvimento, para entrarem em produção (Pedra de Ferro, Lagoa Real e Brumado), mas todos estão dependendo, quase que exclusivamente, da entrada em operação do sistema FIOL/Porto Sul. Projetos relacionados a outros depósitos da região, como os de Boquira, Urandi, Paratinga e Espirito Santo, poderão, também, ser alavancados com a implantação desse sistema.

Outro empreendimento importante, no distrito Sudeste (Iguaí/Jequié), com recursos totais avaliados em mais de 600 milhões de toneladas de ferro,  dispersos em mais de duas dezenas de depósitos de pequeno a médio porte, alguns com minérios de alto teor, apropriados para a produção de granulados, tipo Direct Shipping Ore (DSO) e Sínter Feed, que podem ensejar a produção de ferro gusa ou produtos mais nobres, como ferro de redução direta (DRI), ferro esponja, ferro fundido nodular ou ligas de qualidades especiais, já poderiam trazer para essa região um Polo Siderúrgico de pequena escala, pois, além da matéria prima de qualidade, a região dispõe de suprimento de gás natural e carvão vegetal proveniente de grandes áreas de reflorestamento.

Com tudo isso, e outras coisas mais, é que a luta que o governo da Bahia vem empreendendo, a nível estadual e federal, para viabilizar a FIOL, é fundamental para a economia baiana. Recentemente cresceu a esperança dessa viabilização com os entendimentos que vêm sendo mantidos com os fundos chineses para investimento na América Latina (Clai-Fund) e com a empresa China Railway Engineering Group (Crec), que prevê uma associação com o governo do estado e com a Bahia Mineração (Bamin) para concluir a FIOL.

Essa e outras empresas chinesas, do ramo da siderurgia, construção civil e mineração, e a Eurasian Resources Group, acionista da Bamim pretendem, em cooperação, desenvolver, de forma integrada, o projeto que envolve o Porto Sul, a FIOL e a mina Pedra de Ferro da Bamim.

O Complexo Porto Sul, previsto para ser construído na cidade de Ilhéus, na Ponta da Tulha, fundamental para o escoamento do minério e de grãos da região, já tem as licenças prévia e de implantação concedidas pelo Ibama, e a estimativa é de um investimento da ordem 2,6 bilhões de reais.

Tudo isso, traz, sem dúvida, um novo alento para o desenvolvimento mineral do estado, desenvolvimento este que foi altamente alavancado nos últimos dez anos, com inauguração de quase uma dezena de novas minas na Bahia.
 

 Rafael Avena Neto

Geólogo e Diretor Técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM


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