COLUNISTAS
 

ADARY OLIVEIRA - MAIS UM GOLPE CONTRA O NORDESTE
LUCAS LEAL - A SEMANA NA BOLSA - REPIQUE DE ALTA
ARMANDO AVENA - O MINISTRO DA FAZENDA EM SALVADOR


BUSCA
 



ENTREVISTAS
 


PRESIDENTE DO SEBRAE - GUILHERME AFIF DOMINGOS


SEU INVESTIMENTO
 


BITCOIN VOLTA A QUEBRAR RECORDE E ACUMULA VALORIZAÇÃO DE 1000% EM 12 MESES




FRASE DO DIA
 


“Eu sou o PRC – Partido de Rui Costa. Minha bandeira é a bandeira do governador. Se o partido que faço parte aderir o projeto antagônico, devo sair e procurar outra sigla”

Zé Trindade (PSL)
Vereador 









ARTIGO
 
19/05/2017 06:30
ARMANDO AVENA - A POLTICA ATROPELOU A ECONOMIA



Este artigo pretendia dizer ao leitor que o Brasil está saindo da recessão e que o cenário que se desenhava era promissor. Mas antes que fosse possível concluí-lo o caminhão desgovernado da política brasileira atropelou a frágil aceleração da economia. A economia parecia bem por conta dos indicadores objetivos e pela cenarização que estavam desenhando, mas a delação dos executivos da JBS e o envolvimento direto do Presidente Temer no episódio trazem de volta uma variável que afeta todo o sistema econômico: a incerteza com relação ao futuro.

A economia brasileira está indo bem, com indicadores objetivos demonstrando a retomada do crescimento econômico. O Índice da Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), por exemplo, uma espécie de prévia do PIB, registrou alta de 1,1% no primeiro trimestre de 2017, em relação ao trimestre anterior, algo que não acontecia desde 2014. Outro indicador importante foi a criação de quase 60 mil postos de trabalho com carteira assinada em abril, quando no ano passado, nesse mesmo mês, a economia eliminou 62,8 mil empregos.

Além disso, o cenário por trás dos indicadores desenhava um salto de crescimento na economia com base em três pilares. A inflação em queda livre, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficando abaixo de 4% este ano, patamar inferior ao centro da meta, aparece como primeiro pilar. O segundo pilar tinha base na queda vertiginosa da taxa de juros que poderia chegar a 7% em dezembro.  E o terceiro na demanda reprimida da população, que por dois anos esteve contida pela inflação, pelos juros altos, pelo crédito caríssimo e pela perspectiva de desemprego crescente. Essa demanda reprimida chegaria ao mercado mais cedo ou mais tarde, pois os salários já não estão sendo corroídos pela inflação, os preços dos alimentos estão caindo, o crédito está ficando mais barato e o medo do desemprego começa a desaparecer.

Para completar o cenário positivo, os gastos do governo parecem estar sob controle e algumas reformas importantes para modernizar e dar competitividade a economia brasileira pareciam estar maduras. Frente a esse cenário, este economista começava a ficar otimista com as perspectivas da economia brasileira, mas de repente um caminhão desgovernado, cheio de políticos corruptos e dirigido pelo próprio presidente da República, atropelou o otimismo e a própria economia.

Com a delação premiada da JBS atingindo em cheio o governo, o cenário otimista desabou, as reformas podem estar inviabilizadas e a economia e os investidores vão se retrair. O processo econômico repudia a incerteza e não se pode falar em crescimento econômico ou cenário positivo, quando não se sabe sequer quem será o Presidente da República no mês que vem. Só resta esperar que na solução dessa crise, e em política sempre há uma solução, seja preservado as conquistas econômicas que nos últimos meses deram estabilidade a economia brasileira.

                                       
OS EFEITOS NA ECONOMIA

A crise política e institucional que atingiu Brasília já afetou a política econômica e pode ter efeitos ainda mais perniciosos, a depender do tempo necessário para solucioná-la. A cotação do dólar, por exemplo, tende a continuar subindo até que o mercado tenha segurança no quadro político e isso pode significar aumento da pressão inflacionária, por conta do aumento de preços de bens importados, e menor rentabilidade para as exportações que vinham sustentando o crescimento econômico.

A queda taxa de juros, por outro lado, cuja previsão era de redução de 1,2% na próxima reunião do Copom em junho, caindo assim para 10%, deve ser menor, afinal a incerteza no mercado e o aumento da cotação do dólar podem tornar o Banco Central mais conservador. Para completar, a aprovação das reformas, fundamentais para dar sustentabilidade ao crescimento, está adiada e dificilmente ocorrerá neste 1o semestre.

                              
                  INFLAÇÃO DE DELAÇÃO

Em economia, o que define o preço de um produto é a qualidade do produto e a oferta dele no mercado.  E quando tem muita gente ofertando um produto, igual ou similar, o preço cai. No mundo da economia, a delação é um produto como outro qualquer. Seu valor depende da qualidade do produto que traz na caixa e da quantidade de pessoas que estão ofertando esse produto. No momento atual, por exemplo, tem tanta gente querendo fazer delação que o preço e o interesse pelo produto começa a cair. As delações que tinham Temer e Lula como objeto, por exemplo, já estão perdendo valor, pois os executivos da Odebrecht, OAS e JBS já disseram tudo, ou quase. 

Assim Eduardo Cunha e Antônio Palloci tem que achar outro produto para vender, pois esse já está valendo menos. Agora quem ainda tem algo para contar, deve acelerar o passo antes que alguém passe na frente. Em tempo: desde os tempos da Máfia que delações são fundamentais e extremamente úteis para desbaratar esquemas criminosos e devem continuar sendo usadas. Mas os prêmios pela delação não podem ser exagerados. Deixar donos da JBS completamente livres, sem tornozeleira eletrônica e morando em Nova York, após eles terem assaltado o Brasil, é um pouco demais.  
                              
             
                                                O FIM DA RECESSÃO NA BAHIA

A economia baiana dá sinais de que está saindo da recessão, embora alguns setores ainda apresentem resultados negativos. A agropecuária, a indústria e o setor serviços já registram ampliação nos negócios e passaram a contratar mão-de-obra com carteira assinada. O comércio ainda está na expectativa, mas, pelo menos, parou de demitir e a construção civil ainda patina, por uma questão mais especifica. Como o mercado imobiliário trabalha com financiamento de longo prazo e os juros estão caindo, o comprador fica na expectativa de que caiam mais, e adiam a ida ao mercado.

No global, segundo o Caged, em abril a Bahia registrou a geração de 7,2 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, o terceiro melhor desempenho do país. É o maior volume de criação de novos empregos no mês abril desde 2013. Mas o dado importante é que o setor serviços, que representa quase 70% do PIB, gerou 2,3 mil novos empregos com carteira assinada.
 
                                        AEROPORTO DE SALVADOR EM QUEDA LIVRE

Entre janeiro e abril de 2017, o Aeroporto Internacional de Salvador, registrou uma movimentação de passageiros de 2,5 milhões, representando uma queda de quase 8%, em relação ao mesmo período do ano passado. A explicação poderia ser a recessão, não fosse a constatação de que no mesmo período a movimentação de passageiros no Aeroporto de Recife foi de 2,4 milhões, um crescimento de 2,5%. Entre 2014, o aeroporto de Salvador recebeu mais de 3 milhões de passageiros no período, enquanto o de Recife recebeu apenas 2,3 milhões de passageiros. Em 2017 eles estão praticamente empatados, e, se o perfil de incremento permanecer, ainda este ano o aeroporto de Recife será o maior aeroporto do Nordeste.

Felizmente, após muito relutar, o governo do Estado resolveu reduzir a alíquota de ICMS para a querosene de aviação de 18% para 12%, o que poderá estimular a movimentação e a manutenção do aeroporto de Salvador como o maior do Nordeste. É preciso evitar também a perda da liderança no mercado de voos internacionais. Entre janeiro e abril de 2017, a movimentação de passageiros internacionais no aeroporto de Salvador foi de 110,4 mil, uma queda de 3,5%, enquanto no Aeroporto de Recife houve um crescimento de 13%, atingindo 97 mil pessoas. Os dados são da Infraero.
      


 

Rua Dr. José Peroba, 297, edf. Atlanta Empresarial, sala 709/710 - Stiep - Salvador CEP: 41.770 - 235 - Tel: 3565 - 2888