COLUNISTAS
FRASE DO DIA

"Aqui está a essência do que me fez entrar para a política, do que eu aprendi em casa: só a educação transforma" 

Rui Costa(PT)
Governador da Bahia, em discurso no lançamento do projeto Escolas Culturais em Itabuna

ARMANDO AVENA: BAHIA, A LENTA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA
Que o pais está voltando a crescer, isso ninguém mais duvida, nem o conservador FMI – Fundo Monetário Internacional, que projeta um crescimento do PIB de, no mínimo, 0,5% em 2017, muito menos o mercado financeiro, que já aposta num crescimento de 1,5% no ano que vem. Este colunista foi talvez o primeiro economista a avisar que o Brasil estava pronto para voltar a crescer e, na verdade, a discussão agora é apenas a velocidade dessa retomada do crescimento. 
 
A confiança na economia foi restabelecida, mas os investimentos, especialmente com recursos externos, só vão deslanchar após a concretização do impeachment da presidente afastada, embora ninguém tenha mais dúvida de que isso são favas contadas. Existe ainda a possibilidade da economia registrar o primeiro repique de crescimento no último trimestre de 2016, que é tradicionalmente um período de gastos mais acentuados – por conta do Natal e do pagamento do 13º salário –, mas para isso o governo terá de dar sinais de que o país está entrando nos eixos, aprovando as medidas que estão no Congresso e lançando um já anunciado pacote de medidas para estimular a economia. 
 
Mas o leitor deve estar atento, pois os setores econômicos não respondem aos novos parâmetros de maneira uniforme e alguns respondem mais rapidamente que outros, além do que,  existem segmentos muito dependente do emprego e do crédito, a exemplo do varejo, que tende a se recuperar mais vagarosamente.
 
Nesse contexto, a quantas anda a economia baiana? A Bahia segue o mesmo diapasão da economia nacional, mas como é um estado pobre, e muito dependente da administração pública e do setor serviços, tende a responder mais vagarosamente aos estímulos econômicos. Na Bahia, alguns indicadores mostram nítida recuperação, outros estão caindo menos a cada mês e há aqueles que, enfim, chegaram ao fundo do poço. No primeiro caso está a indústria baiana, que cresceu 1,2% entre janeiro e maio, quando, no mesmo período do ano anterior, registrava uma queda de 10,9%. O bom desempenho também se verifica nas exportações, que caíram 7,7% nos primeiros cinco meses do ano passado, e que este ano, no mesmo período, registram crescimento de 1,5%. 
 
Em outros segmentos, os números permanecem negativos, mas em proporção menor do que no ano passado. É o caso da eliminação do emprego com carteira assinada, cujo saldo foi negativo em 16 mil postos de trabalho entre janeiro e maio, quando no ano passado o número estava em 20 mil. Mas há aqueles segmentos que já estão no fundo do poço e a expectativa (ou, pelo menos, a esperança) é que se recuperem nos próximo meses. Nesse grupo estão as vendas no varejo, que caíram 12,2% entre janeiro e abril, bem como o setor serviços, que registra uma retração de 9,3% nos primeiros cinco meses do ano. Para fechar o quadro, aparece o pior dos indicadores, a taxa de desemprego na Região Metropolitana de Salvador, que atingiu em maio 23,7% da população economicamente ativa, crescendo 0,3 pontos em relação a abril, e bem maior que a taxa de 18,2% verificada no mesmo mês de 2015. Isso significa que existem 441 mil desempregados só na Região Metropolitana de Salvador. 
 
Aliás, o desemprego é o principal entre  os fatores que estão empurrando as vendas do varejo para baixo. De todo modo, os números indicam que a recessão chegou ao fundo do poço, mas indicam também que já há setores retomando o crescimento, o que pode sinalizar que dias melhores virão.
Agropecuária não vai bem E a agropecuária baiana, que em anos anteriores manteve o crescimento mesmo na crise e evitou uma queda maior do PIB, não está bem. O desempenho do setor foi sofrível nos cinco primeiros meses do ano. Mas não foi por causa da recessão, foi por causa da seca. A produção de grãos, segundo estimativa do IBGE, será da ordem de 6,9 milhões de toneladas, com redução de 6,7% na área colhida e de 20,3% no rendimento médio das lavouras em comparação com 2015. Tudo isso por conta da seca e das altas temperaturas verificadas nos primeiros meses do ano, que atingiram em cheio as culturas de feijão, soja, milho e algodão.

Empresas: é mais fácil abrir que fechar
 
Antigamente todo mundo dizia que era demorado e difícil abrir uma empresa no Brasil. Hoje é muito mais difícil e, às vezes mais caro, fechar uma empresa. No Brasil, fechar uma empresa leva mais de 100 dias e envolve uma papelada tão grande ou maior do que na abertura. E o custo do encerramento de atividades pode ser até  40% mais caro do que na abertura. 
 
Para fechar uma empresa é preciso, além do distrato social, providenciar certidão negativa de débitos na Previdência Social, certificado de regularidade no FGTS e certidões de débitos do Imposto Sobre Serviço (ISS) ou do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). 
 
Depois vem o arquivamento de atos de extinção na Junta Comercial Local, o cancelamento do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e do Documento Básico de Entrada. Com tudo isso em mão, oficializa-se, se não houver pendências, o fechamento da empresa na Receita Federal. Às vezes é por isso, ou pelos débitos acumulados, que muitos empresários simplesmente abandonam a empresa, sem dar baixa na Junta Comercial, o que sempre acarreta problemas futuros.

Mas a construção civil pode melhorar

Há expectativa de retomada dos negócios no mercado imobiliário baiano. Vários indícios apontam nessa direção, a começar pelo baixo preço dos imóveis em Salvador. Mas, além disso, o governo ampliou o limite de financiamento para R$ 3 milhões, dando fôlego ao mercado de imóveis de luxo e os juros tendem a cair a partir da próxima reunião do Copom. Por outro lado,  a aprovação do PDDU e da Louos vai estimular o mercado imobiliário na capital e no interior. Aliás, algumas cidades médias possuem potencial de crescimento do mercado imobiliário e o setor deve deslanchar assim que a crise arrefecer. 

O plágio e a mulher de Trump

O plágio existe desde que existe a arte. E é abominável. Mas há exceções. Na literatura, por exemplo, um dos maiores escritores de todos do tempos, William Shakespeare, era um grande ladrão de obras. Mas, na maioria das vezes, roubava um monte de lixo e o transformava em ouro. É o caso do Hamlet, explicitamente baseado num livro meio sem expressão de François de Belleforest,  que o bardo transformou num clássico da literatura mundial. O Fausto de Goethe, por seu turno, foi baseado na História Trágica do Doutor Fausto, de Cristopher Marlowe, que, por sua vez , baseou seu texto em outro livro medieval. Já o poeta inglês T.S.Eliot, autor do famoso poema The West Land, foi mais longe e estabeleceu um método sutil de “revitalizar o material tomado de empréstimo a este ou aquele autor para torná-lo estranhamente eliotianos“. 

Na música, há plágios famosos como a belíssima   My Sweet Lord ,  de George Harrison, copiada com muita classe de uma banda chamada The Chiffons. Ou o plágio descarado do nosso Moacir Franco, que copiou nota por nota nada menos do que Nessum Dorma, da ópera Turandot, de Puccini. (Eu nunca mais vou te esquecer, eu nunca mais vou te esquecer, meu amor). Plágio em política também é comum, seja em gestos, expressões ou palavras. Até aí, tudo bem, e há quem diga que o plágio é uma espécie de elogio ao autor.  Mas a mulher do famigerado candidato a presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, foi longe demais, afinal, copiar, ipsis litteris, frases inteiras do discurso da sua rival, exatamente da mulher a quem pretende substituir, não chega a ser plágio, é burrice mesmo.

 


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