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FRASE DO DIA

"Aqui está a essência do que me fez entrar para a política, do que eu aprendi em casa: só a educação transforma" 

Rui Costa(PT)
Governador da Bahia, em discurso no lançamento do projeto Escolas Culturais em Itabuna

ARMANDO AVENA: O CENÁRIO É IMPREVISÍVEL PARA 2016
 

 
A futurologia é o inferno dos economistas, mas traçar os cenários possíveis para a economia brasileira em 2016 tornou-se algo que nem Lúcifer se arriscaria a fazer.  Qualquer que seja o cenário esboçado, sob ele estará pairando a sombra monstruosa do impeachment, variável que influencia toda e qualquer previsão, independente do resultado do processo. O primeiro semestre, por exemplo, será marcado por uma política econômica que estará à serviço da preservação do mandato da Presidente Dilma. 
 
Nesse cenário, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, não terá como sustentar o aprofundamento do ajuste fiscal, única possibilidade do país alcançar o equilíbrio das contas públicas e a redução da inflação, para assim vislumbrar algum crescimento em 2017. Esse cenário dificilmente se realizará, já que a presidente precisa cultivar o escasso apoio popular que ainda detém nos sindicatos ligados ao PT. Assim, o ministro da Fazenda terá que aceitar, ou uma temerária guinada à esquerda, com todo o arsenal de medidas populistas e desagregadoras da economia que daí advirão, ou então, o que é mais provável, a adoção de medidas anticíclicas, ou seja, contrárias ao ciclo recessivo, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar as contas públicas. 
 
Essa última possibilidade é um paradoxo, um oximoro, uma tentativa de juntar duas coisas com sentidos opostos e que parecem excluir-se mutuamente. Por exemplo: estimular o crédito para que assim seja possível a retomada do consumo. Ora, como é possível estimular o crédito com juros em patamares escorchantes? Só se for para aumentar a inadimplência e o lucro dos banqueiros. A não ser que o governo pretenda  novamente baixar os juros na marra. 
 
Outra proposta é estimular a economia através de investimentos do governo em infraestrutura. Mas de onde virão esses recursos, se o déficit nas contas públicas é estratosférico? Dificilmente será com o aumento de impostos e a aprovação da famigerada CPMF, cujos recursos já estão destinados a cobrir o rombo do orçamento. 
 
Essas são apenas algumas das dificuldade para se aplicar um modelo heterodoxo e servem para mostrar que não há saída para o Brasil que não passe pelo ajuste fiscal. Os Estados Unidos estão saindo da recessão que começou em 2008, mas para isso tiveram que amargar três anos de ajuste fiscal e crescimento baixo. 
 
Perdoe-me o leitor se lhe tiro a esperança, mas não há mágica em economia e da cartola heterodoxa sempre sai o que há de pior como o bolivarianismo da Venezuela e da Argentina.  E essa é a grande preocupação no cenário atual, pois uma guinada à esquerda, como vem pregando alguns quadros do PT, ou qualquer heterodoxia, que pretenda viabilizar crescimento econômico ao mesmo tempo que se implementa um ajuste fiscal e se busca reduzir a inflação, pode resultar em uma aventura bolivariana. Por isso, só há um cenário possível para o Brasil: aprofundar o ajuste fiscal em 2016, para que assim haja luz no fim do túnel no final do ano, ou em 2017. 
 
Esse cenário exigiria, no entanto, um presidente forte, ou uma coalizão de forças no Congresso Nacional para que as medidas necessárias fossem  tomadas e implementadas. Como ambas as possibilidades parecem inexequíveis, nesse momento, o cenário para a economia brasileira em 2016 é imprevisível.
 
Os destaques no secretariado de Neto e Rui
 
Na Bahia, selecionar os destaques em qualquer setor é uma operação de alto risco, pois quem não é selecionado torna-se imediatamente um adversário em potencial. Mas esta é uma coluna de opinião, por isso, selecionou quem mais se destacou na administração estadual e municipal em 2015. A medalha de ouro vai para os secretários da Fazenda, Manoel Vitório e Paulo Souto, que, apesar da crise que atinge grande parte dos estados e municípios brasileiros, conseguiram administrar as finanças do estado e do município, respectivamente, de maneira séria e rigorosa, viabilizando em 2015 não só o pagamento em dia dos salários, como o reajuste aos servidores públicos. Também recebem medalhas os chefes da Casa Civil do Estado, Bruno Dauster, e da Prefeitura, Luiz Carreira, ambos fortemente envolvidos na condução de projetos estratégicos para o estado e o munícipio, apesar das dificuldades de um ano de crise. Carreira contabiliza ainda o esforço vitorioso na busca de financiamentos nacionais e internacionais para a Prefeitura de Salvador, que passou oito anos no cadastro de inadimplentes.
 
Na administração estadual, recebe medalha também o secretário de Comunicação do Estado, André Curvelo, pela montagem de uma estratégia de comunicação democrática e pouco personalista, e o secretário de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti, que, apesar da crise, viabilizou investimentos importantes nas área de estradas, energia e aeroportos, além de negociar um financiamento internacional de US$ 500 milhões, junto ao Banco Mundial e Banco Europeu, para a construção e recuperação de estradas. Na administração municipal, vários secretários merecem medalhas, mas vamos colocar no pódio o Secretário de Educação, Guilherme Bellintani, que faz um trabalho silencioso e estrutural que certamente fará Salvador dar um salto na área educacional, e o secretário municipal de Urbanismo, Sílvio Pinheiro, por conta da elaboração do novo PDDU e da Louos, instrumentos fundamentais para o desenvolvimento da cidade.
 
A outra medalha vai para o trabalho feito em prol da retomada do turismo em Salvador, capitaneada pelo próprio prefeito ACM Neto, mas que tem no Secretário de Turismo e Cultura, Érico Mendonça, um escudeiro de peso. O governador Rui Costa também capitaneou um importante processo de desideologização da Secretária da Saúde e rende frutos o trabalho do secretário Fábio Vilas-Boas, assim como, no âmbito municipal, o secretário José Antônio Rodrigues Alves também realiza um trabalho importante que será coroado com a implantação do Hospital Municipal de Salvador. No mais, uma menção ao Procurador Geral do Estado, Paulo Moreno, pela ação proativa da PGE no combate à sonegação, no apoio a montagem e administração das PPPs e em ações importantes como nos casos da
Ebal e Bahiagás.

As reservas e o Brasil bolivarianoUma proposta absurda corre solta entre aqueles que desejam que o governo dê uma guinada à esquerda e assim viabilize o crescimento econômico. É a conversão das reservas cambiais, que hoje estão na casa dos US$ 400 bilhões, em reais, para serem investidos pelo governo e assim dinamizar a economia. O uso das reservas não tem nada a ver com o ideário de esquerda, nem viabilizaria crescimento. Pelo contrário, iria gerar mais inflação e fazer o Brasil entrar de cabeça em uma crise cambial. E esse tipo de proposta teria o condão de transformar o Brasil na nova pátria bolivariana.

Fernando Carvalho
 
Fernando Carvalho foi para a publicidade na Bahia o que Rômulo Almeida foi para o planejamento e Milton Santos para a geografia política e a urbanização. Conheci-o em uma das vernissages da Ada Galeria de Arte, galeria dirigida por sua esposa no tempo em que ainda existia um mercado de arte em Salvador, e a simpatia e admiração foram imediatas.  Assim é com reverência que esta coluna rende homenagens a Fernando Carvalho, destacando sua importância para a publicidade e para a Bahia.


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