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FRASE DO DIA

“Há um clamor de mudança e renovação no coração dos baianos”

ACM Neto
Ptrefeito de Salvador, falando sobre a possibilidade de ser candidato ao governo do estado em 2018

A BAHIA QUER MAIS DA PRESIDENTE DILMA
 
 
A presidente Dilma Rousseff  vai nomear o governador Jaques Wagner para o Ministério da Defesa, uma honra para qualquer baiano pela importância do ministério e por sua função de defesa e preservação do território brasileiro. Mas a Bahia não está satisfeita e espera mais da presidente Dilma Rousseff. Após a expressiva votação que a presidente obteve no estado, após o empenho do governador Jaques Wagner em prol da sua reeleição, os baianos esperavam ocupar um posto de maior destaque no Ministério da presidente, especialmente na área econômica.  Por isso, causou surpresa que o governador Jaques Wagner, após ter seu nome  cogitado para ocupar várias pastas, inclusive a chefia da Casa Civil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e  Comércio Exterior, o Ministério das Comunicações e até a presidência da Petrobras, fosse nomeado ministro da Defesa. A pasta é, sem dúvida, uma das principais em qualquer governo, mas tem pouca valia na área econômica e importância relativa no contexto global da administração pública, especialmente nesses tempos em que os militares sabiamente se dedicam apenas às questões técnicas e abandonaram definitivamente as  aventuras políticas.
 
O governador Jaques Wagner deve estar satisfeito, afinal vai servir ao seu país numa pasta importante, e, além disso, fará parte do chamado “núcleo duro” do Palácio do Planalto, responsável pelo assessoramento político à presidente Dilma Rousseff, mas a Bahia não está satisfeita.  No momento em que sua economia passa por um momento delicado, a Bahia queria e precisava ocupar um ministério econômico de peso, com poder de alavancar os setores econômicos que passam por dificuldades, ou então um ministério focado na infraestrutura, que pudesse resolver os gargalos na área portuária, ferroviária e hidroviária que agem como um freio ao nosso desenvolvimento.
 
A Bahia precisava estar presente num ministério de peso na área econômica, porque sua economia está perdendo posição para outros estados e seu PIB, que era o sexto maior do país, foi superado por Santa Catarina e pelo Distrito Federal; porque sua estrutura portuária está defasada e sem competitividade, enquanto Pernambuco e Ceará possuem portos moderníssimos, como Suape e Pecém;  porque sua indústria está perdendo competitividade a olhos vistos e precisa de investimentos maciços. Recentemente, reportagem do jornal Estado de São Paulo mostrou que o Polo Industrial de Camaçari, considerado o maior do gênero no Hemisfério Sul, está ameaçado, que suas plantas são antigas e carecem de competitividade. Segundo o jornal, a antiguidade das plantas industriais instaladas na região e  fatores que impedem a competitividade das empresas – como logística precária e altos preços das matérias-primas e da energia – estariam reduzindo sobremaneira as perspectivas futuras do distrito.  
A reportagem  tem  sérios equívocos, afinal, uma das áreas em que o governo do estado vem operando com competência é a atração de empresas e isso pode ser comprovado com os novos investimentos que estão sendo feitos no polo – como o da Basf, que está concluindo seu Complexo Acrílico, um investimentos de R$ 1,2 bilhão –, mas ela toca numa ferida que está aberta e não apenas no Polo, mas em toda a economia baiana e que pode ser definida numa constatação:  a Bahia tem riquezas e potencial, o governo do estado tem feito um esforço para ampliar a infraestrutura, mas sem uma ação forte e contínua do governo federal vai perder espaço e pode ser ultrapassada, inclusive, por outros estados do Nordeste.
 
Por isso, a Bahia esperava ver o governador Wagner à frente de um ministério de peso na área econômica, ou mesmo em áreas estratégicas como o setor educacional e das Minas e Energia. Por isso, os baianos receberam com pouco entusiasmo o anúncio de que Jaques Wagner iria para o Ministério da Defesa e a frustação foi maior ainda, pois ao mesmo tempo o ex-governador César Borges, que vinha realizando um trabalho promissor na área portuária, deixou a Secretaria de Portos. A verdade é que a Bahia está nitidamente sub-representada no Ministério da presidente Dilma Rousseff e, enquanto os políticos de estados como Pernambuco e Ceará assumem pastas da importância do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Educação, respectivamente, nosso estado  entra no governo com uma participação pouco expressiva no alto escalão do poder, especialmente nas áreas vinculadas à economia.
 
O governador Jaques Wagner dificilmente concordará com a análise feita aqui, argumentando que não é necessário estar neste ou naquele ministério para que a Bahia seja contemplada, mas, ainda que isso seja em parte verdadeiro, a presença de um baiano num ministério com forte influência econômica, ou mesmo numa empresa ou banco de igual potencial, é garantia de que o estado será olhado com carinho especial. 
 
O fato é que a Bahia está sub-representada no Ministério de Dilma Rousseff, por isso precisa ampliar sua representação em outros órgãos da administração federal, e nunca é demais lembrar que no primeiro governo Lula eram três os ministros baianos que ocupavam a Esplanada, além da direção de empresas estatais.  Sem desprezar a importância do Ministério da Defesa, a Bahia faz jus, pelo seu peso político e pelo  papel fundamental que teve na eleição da presidente Dilma, a uma posição de mais destaque na área econômica e estratégica do governo.



 


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