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FRASE DO DIA

“Há um clamor de mudança e renovação no coração dos baianos”

ACM Neto
Ptrefeito de Salvador, falando sobre a possibilidade de ser candidato ao governo do estado em 2018

ARMANDO AVENA : ECONOMIA BRASILEIRA: CONSUMO X INVESTIMENTO

 

 



A economia é como a vida, tem ciclos, e tanto num caso quanto no outro,  é um erro tentar manter um ciclo quando ele já acabou.  No Brasil, o ciclo de crescimento econômico baseado no consumo familiar se esgotou e um dos erros da política econômica atual é tentar estendê-lo com medidas paliativas, como isenção de IPI para compra de automóveis, e desonerações localizadas, etc. O governo, seja este ou o próximo, tem de virar a página e dar o start num novo ciclo, os dos investimentos, para assim aumentar a produtividade, o que, no futuro, gera novo ciclo de consumo familiar. O crescimento quando baseado nos investimentos é mais consistente e se propaga por causa do efeito do multiplicador  que faz com que um aumento nos investimentos gere um aumento proporcionalmente maior na renda. Crescimento baseado em investimentos só é possível num ambiente político estável e amigável para os negócios,  sem a adoção a cada momento de medidas casuísticas e  paliativas ou apoio a setores localizados. E esse ambiente só será alcançado com um pacote de reformas, capitaneado por uma reforma tributária com ênfase na redução e desburocratização da carga tributária. Ao mesmo tempo, o governo terá de reduzir os gastos correntes e gastar mais em obras de infraestrutura.  Em 2013, os gastos correntes do governo cresceram 7,3% em relação a 2012 e os investimentos em obras de infraestrutura cresceram apenas 0,5%, segundo o Tesouro Nacional. É hora de inverter esse perfil.  O leitor poderia perguntar: e não seria possível seguir com o modelo de ampliação do consumo familiar? Sim, em economia tudo é possível, mas para isso o governo teria de dobrar os recursos do Bolsa Família e ampliar seus gastos correntes e aí, em pouco tempo, a inflação voltaria a crescer, como, aliás, vem crescendo. Mas essa fita a gente já assistiu, por isso, é hora de passar outro filme e, neste, o herói será o investimento.                                                         

                                                    
                              
                     NORBERTO ODEBRECHET
 
Conheci  o empresário Norberto Odebrecht quando ele já se dedicava a Fundação Odebrecht e encantei-me com o  projeto inovador que ele implantou no  Baixo Sul da Bahia. Com esse projeto, Dr. Norberto mostrou que o desenvolvimento integrado e sustentável é viável. Dr. Norberto  conhecia a obra do Prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen, e,  em entrevista ao meu amigo José Enrique Barreiro,  economista e editor da Versal, mostrou que, ao contrário do empresário tradicional que estimula a competitividade e joga o jogo do tipo “perde-ganha”,  o melhor era a ter a cooperação como base dos projetos, implantando  um jogo do tipo “ganha-ganha”. Foi adotando essa ideia e tendo como base  sua experiência como empresário criador de uma inovadora  tecnologia de administração, que ele montou o projeto no Baixo Sul e criou  um Conselho de Governança  envolvendo o poder público, o empresariado e a sociedade civil organizada, para promover o projeto. Na visão de Dr. Norberto, os capitais ambiental, humano, produtivo e social precisavam  interagir e  desenvolver-se simultaneamente. Assim, montou as  cadeias produtivas do projeto –  mandioca, palmito, aquicultura e piaçava – tocadas por   pequenos  produtores, organizados em cooperativas,  e com acesso a técnicas modernas de produção.  Dr. Norberto tinha uma natureza intuitiva e inovadora e dedicou seus últimos anos a esse projeto  vencendo as dificuldades com criatividade e com base no dístico, que ele gostava de citar: “Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao andar.”

 

Armando Avena


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