COLUNISTAS
FRASE DO DIA

“Há um clamor de mudança e renovação no coração dos baianos”

ACM Neto
Ptrefeito de Salvador, falando sobre a possibilidade de ser candidato ao governo do estado em 2018

SALVADOR E OS CANDIDATOS




Os candidatos à governador do Estado precisam modernizar seu discurso na área econômica, especialmente com relação à Salvador. Durante vinte anos, ou mais, os governos implementaram politicas baseadas na ideia de que era preciso interiorizar o desenvolvimento e todas as políticas de atração de investimentos incentivavam a instalação de empresas no interior do Estado ou nos munícipios do entorno de Salvador. Argumentava-se que era preciso desconcentrar a economia para ampliar o desenvolvimento do interior e reduzir a excessiva  participação da economia soteropolitana no PIB estadual.  Para Salvador restaria sua inegável vocação turística. Pois bem, a política deu certo e foi tamanho o acerto que a economia de Salvador perdeu dinamismo, reduziu sua participação no PIB estadual e foi suplantada, sob o ponto de vista econômico, por Fortaleza. Isso se deu também por conta de uma administração municipal desastrosa, que durou oito anos, e tirou a competitividade do turismo, o setor líder de nossa economia. Essa situação precisa ser modificada, pois, apesar da visível melhoria na infraestrutura da cidade, o que pode torná-la novamente competitiva no âmbito do turismo,  a economia soteropolitana está em pleno processo de desaceleracão. Em termos conjunturais, por exemplo, é possível verificar que os efeitos do baixo crescimento do país estão sendo potencializados em Salvador.   No primeiro semestre deste ano, por exemplo, o saldo de empregos com carteira assinada em Salvador foi negativo em 3 mil postos de trabalho. A construção civil eliminou 3,1 mil postos de trabalho e o setor comércio eliminou 2,8 mil postos de trabalho no período, segundo dados do Caged, do Ministério do Trabalho. Além do pibinho nacional, é a crise  no setor da construção civil e a redução nas vendas do comércio, especialmente no setor de automóveis, que explicam a desaceleração. A construção civil está semiparalisada por conta da insegurança jurídica e dos problemas com a Lous e PDDU e, com isso, o número de novos lançamentos é o menor em uma década, apenas 554 unidades, no primeiro trimestre de 2014, segundo a ADEMI. Já o setor comércio sofre os efeitos da crise econômica nacional com o aumento da inflação e o medo do desemprego reduzindo o ímpeto consumista da classe C e as vendas, especialmente de  automóveis.  E quando dois dos principais setores da economia desaceleram, os efeitos se disseminam e atingem a área de serviços, publicidade, autônomos, os serviços de apoio à essas atividades e os diversos segmentos vinculados. É certo que o turismo vem se recuperando com a nova cara da cidade e que a tendência é de aquecimento do setor nos próximos anos, especialmente se houver novos investimentos – entre outros, um novo centro de Convenções –  mas nenhuma cidade do mundo vive só de turismo, nem Paris,  com seus 70 milhões de visitantes, nem o Rio de Janeiro que passa neste momento por um super programa de investimentos industriais e em infraestrutura. Aliás, não fossem as obras de infraestrutura urbana que estão sendo feitas na cidade pelo governo do Estado e pela Prefeitura de Salvador, a situação do emprego seria pior. Mas Salvador precisa mais que isso. É preciso um programa de incentivos fiscais para atrair empresas não poluentes, grandes redes comerciais, empresas de tecnologia e pesquisa, empresas do setor portuário, digital, financeiro e por aí vai.  Salvador precisa voltar a ser o mais dinâmico polo econômico da Bahia e o próximo governador vai ter de necessariamente se debruçar sobre esse assunto.
 
                                                                         ENERGIA EÓLICA
 
 
Que a Bahia tem enorme potencial para a produção e energia eólica, já se sabia e que os investimentos nessa área foram significativos nos últimos anos, ninguém duvida. O problema era a falta de interligação com o Sistema Elétrico Nacional, sem o que era jogar energia fora. Pois bem, com a conclusão da linha de transmissão Igaporã/Bom Jesus da Lapa, a energia elétrica produzida pelos ventos na região de Caetité foi interligada ao sistema e  volta a ordem do dia a ampliação dos investimentos no setor. A Bahia possui atualmente  87 projetos de usinas eólicas, principalmente no semiárido, o que significa 2,2 GW de capacidade instalada. O Atlas Eólico da Bahia, elaborado pela Secretaria de Infraestrutura do Estado, mostra que o semiárido baiano possui as melhores jazidas de ventos do país em sete áreas com grande potencial eólico: Serra do Sobradinho, Serra Azul, Morro do Chapéu, Serra da Jacobina, Serra do Estreito, Caetité e Novo Horizonte, este último o ponto mais alto da Bahia. A energia eólica forma uma cadeia e no rastro dela se implantaram no Estado as fábricas Gamesa, Acciona e Torrebras,  de capital espanhol, a francesa Alstom, e a brasileira Tecsis, que é líder mundial na fabricação de pás e geradores. Essa é uma área onde os ventos sopram a favor e tem efeitos positivos na economia do semiárido e na indústria baiana.

                                                                  DEBATE NA ACADEMIA
O primeiro debate com a presença de todos os candidatos ao cargo de governador do Estado na próxima eleição, tendo como tema principal a política cultural na Bahia, vai ocorrer na terça-feira da semana que vem, dia 29, às 19h, na Academia de Letras da Bahia. O encontro tem a coordenação do confrade Luís Antonio Cajazeira Ramos e é imperdível. 


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