COLUNISTAS
FRASE DO DIA

“Este é o fenômeno da responsabilidade fiscal e esta responsabilidade fiscal é o que importou neste pequeno ato do PIS/Cofins, em primeiro lugar para manter a meta fiscal que estabelecemos.”

Michel Temer
Presidente do Brasil 

A VERSÃO É MAIS IMPORTANTE QUE O FATO



O Brasil é um país curioso. Aqui se anuncia o que não se entrega e a versão parece ser mais importante do que o fato.  Anunciou-se, por exemplo, que nós tínhamos uma grande seleção de futebol, mas a seleção que foi entregue ao país foi muito inferior a que dizíamos ter, ou seja, a versão foi mais real que o fato. Aliás, quem viu a entrevista do nosso Felipão após a derrota vergonhosa para a Alemanha, deve ter ficado estarrecido: ele continuava dizendo que aquela era a melhor seleção, que faria tudo de novo, (inclusive manter Fred?) e que a equipe era excelente. Ou seja, mesmo perdendo por 7 a 1 – o fato – ele continuava afirmando que a seleção brasileira era uma das melhores do mundo – a versão.

A versão é  mais importante, tanto assim que nosso Secretário de Turismo, Pedro Galvão, insiste em anunciar na imprensa que a Bahia recebeu 700 mil turistas nacionais e 70 mil estrangeiros na Copa, quando o fato,  divulgado pelo Ministério do Turismo, é que a Bahia recebeu pouco mais de 250 mil turistas nacionais e menos do que 50 mil estrangeiros. Ora, receber 300 mil turistas já foi uma maravilha para Bahia, a Copa do Mundo foi extremamente positiva para o turismo, então, para que inflacionar um número que por si só já é  poderoso?  

No Brasil é assim e vale para todos os setores. Outro dia uma agência reguladora anunciou na televisão que as operadoras de telefonia, que vendem internet de 10, 15  e até 120 mega, seriam obrigadas a entregar pelo menos 50% do contratado. Ou seja, até a agência que regula o setor aceita que se entregue ao consumidor menos do que foi contratado. As contas telefônicas, por seu turno, indicam a cada mês chamadas não realizadas ou superdimensionadas.

Aliás,  conta telefônica no Brasil é uma ficção, cheia de penduricalhos que sempre inflam valor final todo o mês e ninguém fiscaliza o conteúdo e o consumidor fica a mercê das operadoras. E o  que dizer dos serviços de TV por assinatura, no qual as empresas manipulam pacotes de canais a seu bel prazer e as mensalidades variam em até 100%, não de acordo com o serviço oferecido – mais ou menos canais – mas na base da propaganda e da imagem de Gisele Bündchen. 

Um mesmo pacote de TV por assinatura pode ter o valor mensal com diferença de até 100% entre operadoras. Citei alguns exemplos, mas em vários setores o processo é o mesmo. Infelizmente, no Brasil não se entrega o que se anuncia, o que se diz com ênfase não precisa ser provado e, definitivamente, a versão é mais importante que o fato.

                              
                         AS ÁREAS DE LAZER EM SALVADOR

Em São Paulo, o Parque do Ibirapuera só vive cheio e é um point da população paulista. O mesmo se pode dizer de várias cidades do mundo, onde as áreas de lazer são disputadíssimas. Em Salvador, a classe média reclama que não tem acesso as áreas verdes da cidade, pois a população depreda os espaços públicos, e a violência e a sujeira não permite frequentá-los.

Bom, é fácil colocar a culpa na classe pobre ou no poder público, mas porque não olhar a questão por outro angulo e se perguntar por que a população depreda o local onde ela poderia ter lazer e diversão? A resposta é simples: a população depreda aquilo que não lhe pertence, aquilo que é cercado para uso dessa própria classe média que, muitas vezes, quer uma distância regulamentar dos mais pobres.

Um exemplo: o parque público que existe na área da antiga sede do Esporte Clube Bahia, após ser recuperado, tornou-se um point de lazer e diversão da população que vive no seu entorno e que, longe de depredá-lo, passou a cuidar dele e a coibir a quebra dos equipamentos e a violência no lugar. Isso seu deu porque a reforma do parque não teve como objetivo expulsar a população pobre do seu entorno, pelo contrário, a ideia foi trazê-la para o local, dando-lhe o sentimento de pertencimento.

Quem sente que pertence a um lugar, protege esse lugar.  Esse conceito de preparar o parque público para as pessoas que vivem em seu entorno, independente da sua renda,  precisa ser disseminado  nos demais parques de Salvador, a exemplo do Parque da Cidade, do Parque de Pituaçu e outras áreas. Claro que a polícia deve estar presente nesses locais e que o poder público tem de manter a limpeza e a segurança, mas a população tem de sentir que faz parte daquele espaço e não que está sendo expulsa dele. Quando isso acontecer,  a população, mesmo a mais pobre, ajudará a manter o local e vai coibir sua depredação.

                                                 OS CANDIDATOS E A ECONOMIA

A economia é a avalista do desenvolvimento. Não há registro na história de melhoria do padrão de vida das pessoas com redução da atividade econômica. Por isso, esta coluna vai ouvir as propostas econômicas dos candidatos à governador da Bahia, para assim informar ao leitor o que cada um pretende para dinamizar a economia baiana.

 

Armando Avena

 


 


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