A piora da inadimplência por causa da recessão gerou um volume bilionário de créditos em atraso no País. O movimento obrigou os bancos a intensificarem a venda dessas operações para empresas especializadas em cobrança, em um mercado conhecido como o de "créditos podres" - dívidas que já estão há bastante tempo vencidas e, portanto, de difícil recuperação.

A estimativa é que as instituições financeiras movimentem entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões em créditos podres este ano, ante uma média de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões negociada nos últimos anos.
 
Nos últimos três anos, o sistema financeiro brasileiro "limpou" de seus balanços cerca de R$ 200 bilhões em prejuízos. Ou seja, os bancos reservaram esse valor para fazer frente às perdas com devedores duvidosos. Mas o tamanho do mercado total de dívidas em aberto - de pessoas físicas e empresas, considerando, além de bancos, financeiras - pode chegar a R$ 400 bilhões.

Desse montante, que engloba operações renegociadas e em atraso, apenas R$ 100 bilhões são dívidas consideradas recuperáveis, diz Flávio Suchek, presidente da Recovery, empresa líder em gestão e recuperação de crédito, que desde o fim de 2015 pertence ao Itaú Unibanco. (Estadão)